segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Caminhada Dia da Árvore

No dia 25 de Março, pelas 9 horas decorreu a Caminha do Dia da Árvore, a que nós já habituamos a fazer desde há uns anos para cá. Esta iniciativa tem por objectivo assinalar esta data importante, que muitas vezes passa despercebida.

Ora, com efeito, os participantes juntaram-se no Jardim da Confraria e orientamo-nos rumo a Teobalde (mais uma vez o Sol esteve radiante... - o que até já é de estranhar!), tendo como primeira paragem o Parque de Cabomonte/Tarei junto ao Rio Novo. Para termos uma noção da desflorestação, chegamos junto da A29 - construida há pouco e que provocou grandes distúrbios florestais e ecológicos. O abatimento de árvores para construção tem vindo a aumentar dramaticamente...



Seguindo pela estrada nacional fomos em direcção à Fonte do Amieiro para admirar a "nova fonte" e retemperar algumas forças.


Subindo Valrico, passando pelos tanques, regressamos ao ponto de partida já cansados, mas satisfeitos por mais uma actividade bem sucedida.


A todos os participantes os nossos agradecimentos e esperanças para uma proxima oportunidade.

Convivio - Dia do Pai (18 de Março)




No dia 18 de Março, o grupo de jovens organizou um convívio nos passionistas para comemorar o dia do pai, no qual compareceram cerca de 50 pessoas cheias de boa disposição e vontade de conviver.
Chegamos aos passionistas por volta das 9h30min., onde um agradável ar puro nos esperava. Uns foram mostrar os seus dotes futebolísticos, outros preferiram ficar a observar esses talentos e pôr a conversa em dia. Realizaram-se dois jogos, num jogaram os pais contra os filhos, em que os filhos venceram, mas só para dedicar os golos aos pais, o outro foi só de raparigas onde o talento vigorava (aquilo é que é futebol). Depois de quase uma hora de futebol, fomos preparar o almoço, do qual se encarregaram os nossos pais. Enquanto uns assavam as febras e faziam o delicioso arroz, os outros (os mais jovens), continuavam nas actividades desportivas!!! Chegada a hora do almoço, cada um pegou no seu prato e serviu-se. A comida estava saborosa, o ambiente era agradável e natural e, o convívio e a alegria estavam presentes. Depois do almoço, uns ficaram à sombra de um dos bens mais preciosos que a natureza nos brinda, as árvores, outros foram caminhar e houve quem preferisse desgastar a comida a jogar futebol e voleibol! Todos os jogos realizados foram cheios de desportivismo, bom humor, talento e como não podia faltar muitas quedas, porém nada de grave.
Aos poucos, as pessoas começaram a abandonar o local mas todos com ar de satisfeitos pelo dia que passaram.
Este dia foi preparado em especial para os nossos pais, contudo toda a família compareceu. Tudo correu pelo melhor, o que nos deixa satisfeitos e com vontade de, para o ano, organizarmos outro, e com todos presentes.

A chegada das Andorinhas

Nos dias 21 e 22 de Março comemora-se duas ocasiões especiais: O Dia da Árvore (representa a chegada da Primavera) e o Dia da Água, respectivamente.
Antes, as andorinhas marcavam o início da Primavera. Hoje não.
De facto, várias espécies de aves migram mais cedo para a Europa, partindo de África. As causas proeminentes deste fluxo madrugador devem-se às mudanças climáticas a que hoje estamos sujeitos. É caso para afirmar que “as andorinhas chegam no Inverno”…

Ou então, a Primavera chega mais cedo…

Era uma vez uma árvore

Era uma vez uma árvore muito bonita e todos os dias os meninos gostavam de brincar à sombra dos seus ramos e folhas.
Mas, um dia, um menino tratou-a muito mal. Com uma faca cortou o seu tronco.
A árvore ficou muito triste com aquela má atitude do menino e, passados alguns dias esta começou a secar e as suas folhas começaram a cair.A árvore já não dava sombra.
Um dia, havia muito Sol e os meninos que habitualmente brincavam à sombra daquela árvore, não o puderam fazer. Estavam tristes, muito tristes porque não tinham sombra para brincar e pensaram na atitude incorrecta do seu amigo.
O menino veio a arrepender-se e reconhecendo que a sua atitude não tinha sido a mais correcta, pediu desculpa à árvore para que ela lhe perdoasse.O menino deu-lhe um abraço e ela compreendendo que ele se arrependera sorriu para ele.
Sentiu uma grande força e uma grande vontade de voltar a viver.A raiz que segura a árvore ao solo e que retira da terra o alimento que ela necessita, deu força aos seus ramos e as suas folhas voltaram a crescer e a dar sombra.
As crianças puderam voltar a brincar outra vez à sombra dos seus ramos e das suas folhas.
Por fim, os meninos agradeceram à árvore e fizeram uma grande roda à volta dela!

O que é a água?

Pode até parecer um pouco ilógico fazer esta pergunta, mas o que é a água? Já todos bebemos água e já a utilizamos para as mais variadas necessidades em infindáveis momentos da nossa vida. Mas, afinal qual é a composição deste líquido que dá vida a todo o planeta terra? A água é formada por dois átomos de hidrogénio (H2) e por um átomo de oxigénio (O), formando assim, a molécula H2O. em a água nenhuma espécie vegetal ou animal, incluindo o homem, poderia sobreviver. Cerca de 70% da nossa alimentação e do nosso próprio corpo são constituídos por água.
Os oceanos, os mares, os pólos, a neve, os lagos e os rios cobrem aproximadamente dois terços da superfície da Terra. Calcula-se que o seu volume total ascenda aos 1,42 biliões de km3, sendo a grande maioria (95,1%) distribuída pelas águas salgadas dos mares e oceanos. Os 4,9% restantes representam a água doce, que por sua vez está distribuída entre as zonas polares, que abarcam 97% desse precioso volume e a água na forma líquida, disponível para o nosso uso, cujo volume é estimado em pouco mais de 2 milhões de km3. Assim, 99,9% das águas do nosso planeta são águas salgadas ou permanentemente congeladas.

ABENÇOADO PAI

Abençoado o Pai que os filhos sabe educar,
Que arranja tempo para dialogar e escutar,
Mesmo, quando está cansado,
Depois de um dia atribulado.

Abençoado o Pai que tem a convicção,
De que o sorriso vale mais que uma repreensão.
Uma brincadeira mais que uma crítica.
Um abraço mais que qualquer recomendação.

Abençoado o Pai que sabe entender
Os erros dos filhos e perdoar.
E os seus também reconhecer,
Com humildade, sem se envergonhar.

Abençoado o Pai que aos filhos dá segurança
Com a sua presença e Amor.
E pede, com toda a confiança,
Para eles, um futuro promissor.

Abençoado o Pai que com os filhos sabe rezar.
E transmitir com a sua experiência e saber,
Como podem viver, uma vida de verdade.

E o caminho que eles têm a percorrer,
Os conduza a horizontes sem par,
Abertos ao Homem, ao mundo, à eternida
de!

“Karnevál”… Um Carnaval Diferente…





Até me podia ter disfarçado de jornalista e escrever algo mais de encontro a um artigo digno desse nome. Mas, apenas vou contar a minha experiência do Carnaval deste ano.
Que foi diferente dos outros por não ter havido a chegada do rei, o Desfile do Carnaval das Crianças, o Carnaval Sénior, os concertos habituais de várias bandas, o Desfile das Escolas de Samba, o grande Corso Carnavalesco e a festa habitual que costuma haver nas ruas, pelo menos ao Carnaval que costumo ir, Ovar. Se bem, que não sou um espectador assíduo.
Este ano estive no “Karnevál”, a tradução de Carnaval em húngaro. Ao contrário de Portugal, aqui na Hungria, mais precisamente, em Budapeste não houveram grande manifestações… ao contrário do que se passou a alguns meses quando cá cheguei… mas isso devido à contestação que, na altura, havia contra o governo. Pode-se dizer que os húngaros não estão para “brincadeiras”.
O Carnaval, que é um período de festas que tem as suas origens na Antiguidade e recuperadas pelo cristianismo, começa no dia de Reis (Epifania) e acabava na Quarta-feira de cinzas, às vésperas da Quaresma. É um período marcado pelo "adeus à carne" ou "carne nada vale" dando origem ao termo "Carnaval". Durante o período do Carnaval havia uma grande concentração de festejos populares. Cada cidade brincava a seu modo, de acordo com seus costumes. Aqui em Budapeste este período parece ter sido saqueado.
Sendo assim, o meu ”Karnevál”, resumiu-se “apenas” a uma festa que organizaram aqui no TF, a universidade onde estou a estudar. Apesar de o Carnaval não parecer ter grande importância na cultura húngara, não sendo dada sequer tolerância de ponto (como em Portugal), nesta festa todos se mascararam e até de forma muito original, desde Cleópatras a E.T.’s, houve de tudo um pouco.
Quanto aí, pelo que soube, este ano não foi muito diferente dos anos anteriores… alguns não ligam muito à festa, e outros não vêm o momento de chegar o próximo Carnaval… Cada um à sua maneira, viveu o Carnaval.
Já que assim não pago o correio, aproveito, e em especial para as pessoas que me são mais próximas, para deixar os meus cumprimentos com um “até já”…




Élio Silva, "correspondente" na Hungria - um abraço até ao teu regresso

11 de Fevereiro - Dia Mundial do Doente

A doença assistida

No dia 11 de Fevereiro o Grupo de Jovens celebrou este dia conforme tem vindo a fazer já à alguns anos, enquanto de um lado se decidia o que fazer com o principio da vida, nós grupo pensávamos e organizávamo-nos com os ministros extraordinários da comunhão para visitar os cerca de 60 doentes identificados e visitados pelos ministros extraordinários da comunhão, estes levam todos os Domingos Cristo Ressuscitado através da comunhão, o Grupo de Jovens apenas reforçou esta comunhão levando um pouco da sua juventude e alegria, através de uma flor entregue e também da oração inscrita em uma pagela assinada pelo nosso pároco.
São gestos simples que aos olhos da humanidade indiferente nada parecem valer, mas para quem está doente encamado ou é idoso, valem mesmo muito, os jovens estão sensíveis a estes gestos, falta-lhes muitas vezes a coragem para os praticar, por isso é que é preciso cada vez mais educar os nossos jovens para o serviço aos outros, um serviço voluntário e desinteressado, porque o único proveito que tiramos é o da aprendizagem.
A doença não implica só o doente mas sim todos quantos o rodeiam, por isso é que este serviço deve ser feito sempre com o objectivo de acompanhar e ajudar quem está doente como quem o assiste, a doença não deve ser encarada como um castigo, um fardo que não merecemos carregar, para quem pratica o voluntariado a doença é uma escola de vida, quantas vezes vamos com o intuito de ajudar e saímos de junto do doente como se este não precisa-se de nada e nós de tudo, é admirável o cuidado que muitos têm com os doentes, mas também é triste ver quantos não são visitados, este é um cuidado ao qual não devemos estar alheios, quem não tem um avô ou avó, um pai ou mãe, um amigo ou vizinho para visitar, não lamentemos como se de uma desgraça se tratasse, partilhemos a vida para que ninguém diga não tive quem me amasse.

Quaresma 2007 - Tempo e Espiritualidade

Ainda não vai longe o Tempo de Natal e a Igreja convida-nos a viver a Quaresma. Os tempos sucedem-se e a Liturgia também não pára, como escola de Fé. A Liturgia tem dois grandes Pólos - Natal e Páscoa – com os respectivos tempos preparatórios. A Quaresma é o tempo litúrgico que prepara a Solenidade da Páscoa. Este ano será de 21 de Fevereiro a 5 de Abril, excluindo a Missa da Ceia do Senhor, que já pertence ao Tríduo Pascal. Surgiu esta tradição na disciplina da Igreja no Séc IV, após a “Paz de Constantino”, quando multidões quiseram fazer parte da Igreja. O nome vem do I Domingo da Quaresma, “Quadragesima die”, que significava 40º dia anterior à Páscoa. Facilmente foi associado também aos quarenta dias do Jejum e de Deserto vividos pelo Senhor, antes de iniciar a vida pública. Para dar certo o número de dias, pelo facto de nunca se ter jejuado ao Domingo, antecipou-se o início da Quaresma para 4ª feira de Cinzas e manteve-se a disciplina de não jejuar nos Domingos deste tempo.
A este Tempo litúrgico está associada a Penitência pública e o Catecumenado. A penitência, que caiu em desuso, mas ficou no Espírito do tempo quaresmal, como consciencialização do pecado, arrependimento e conversão (reparação do mal e emenda de vida). Recomenda-se a confissão ao menos uma vez em cada ano. Em São Miguel de Souto será agendada vicarialmente pelos sacerdotes dia 16 de Março às 15h e às 21h. O Catecumenado, como preparação para o Baptismo dos adultos, foi restaurado pelo Concílio Vaticano II, e permanece, não só para a respectiva preparação baptismal de adultos, como espiritualidade recomendada a todos os cristãos que renovam as suas promessas baptismais na Páscoa, nomeadamente na Vigília Pascal. Para esta vivência exercita-se a prática do Jejum, da esmola e da oração, como ascese cristã, a Leitura da Palavra de Deus e a Caridade fraterna, pela partilha sincera. Estas práticas são também recomendadas a todos nós, nesta Quaresma.
A prática penitencial, para ter um carácter comunitário, continua a ser recomendada nomeadamente pelo Jejum e pela abstinência. Embora já não sejam significativos os actos para muitos cristãos, continua a ser recomendado o jejum (não comer e lembrar os que passam fome) para os cristãos dos 18 aos 59 anos, excepto por dispensa médica ou por outra causa que seja de força maior, na Quarta feira de cinzas e Sexta feira santa. E também é recomendada a abstinência de carnes (ou outros alimentos ou gestos com maior significado) para os maiores de 14 anos. Mantém-se também o contributo penitencial, oferta que é fruto das nossas renúncias quaresmais, cuja finalidade é destinada pelo Senhor Bispo, e destina-se sempre à caridade ou a actos de beneficência.
Na liturgia tudo é sóbrio, desde a cor roxa dos paramentos, até à supressão do aleluia no canto e dos instrumentos musicais, excepto para acompanhamento, e de todos os gestos festivos, nomeadamente as flores e os adornos.
Faço votos que possa ser para todos um tempo de profunda conversão pessoal e de maior comunhão e adesão a Cristo.

O Pároco.

Amor... passado e presente!

O dia de S. Valentim, mais conhecido como o dia dos namorados, vem aí! Por isso, fui questionar três jovens casais, um casal com quase quatro anos de namoro, um casal com vinte e três anos de casamento e outro jovem casal com “apenas” cinquenta e oito anos de vida em comum!
Comecei por questionar como foi o início do namoro as diferenças foram notáveis!! Antigamente, as pessoas conheciam-se em bailes ou em festas (exemplo: festa de S. Miguel) enquanto que, actualmente, as novas tecnologias (como a Internet e os telemóveis) prevalecem e são um meio importante de transmissão de mensagens de Amor! O namoro é o ponto de partida para a “viagem do amor”, é uma forma de se conhecerem melhor e decidirem se querem ou não assumir o compromisso perante Deus – o Matrimónio. Antes não havia liberdade quase nenhuma enquanto que, agora, há liberdade a mais! Segundo o casal mais experiente, antigamente existia mais respeito pois eles namoraram durante quatro anos e nem um beijo deram!! Quanto ao dia de S. Valentim... não existia! Apenas o casal mais jovem o vive com mais intensidade, apesar de o considerarem um dia igual aos outros, a verdade é que o marcam pela troca de lembranças entre ambos. Antigamente, os dias em que os namorados se encontravam eram as quintas e os Domingos, agora, todos concordam que, o dia dos namorados é todos os dias, pois o dia 14 de Fevereiro “é mais um dia no ano em que comemoramos o amor que sentimos um pelo outro” (Fábio).
Relativamente à questão sobre o matrimónio, o casal (que está mais próximo das Bodas de Prata!) referiu que o sonho de ambos, homem e mulher, ao casarem-se foi a construção de uma família. Casaram-se porque se conheciam bem, pois “estávamos um para o outro como o ‘testo para a panela’” (Manuel Tavares). O matrimónio é mais uma etapa na vida de um casal. É e será (para os mais jovens) um dia único, relembrado por todos, em que, se juntam desde familiares a amigos, para testemunharem o compromisso que o casal assume perante Deus. Assim se inicia uma vida a dois, em que cada um dos elementos do casal, lutará por uma família unida e Feliz. Contudo, nem tudo é um ‘mar de rosas’, o matrimónio tem altos e baixos, muitas rosas e muitos espinhos! Como diz a senhora Rosa, “casa que não é ralhada não é governada”! Mas tudo se ultrapassa quando se gosta verdadeiramente um do outro.
Quando não se ultrapassa vem o divórcio. Antes também haviam separações mas em muito menor número pois as pessoas sujeitavam-se e toleravam tudo. Agora, infelizmente, há pessoas que se casam já a pensar no divórcio, palavra que antes nem sequer existia no vocabulário!
Existe alguma diferença entre o “AMOR” de antes e o de agora? Foi mais uma das pergunta à qual responderam que o Amor é único e é sentido de forma diferente, mas esta diferença não é relativa ‘ao antes e ao agora’ e sim ao facto de todos nós sermos diferentes, de pensarmos e sentirmos de forma diferente.
Outra questão referia-se aos aspectos necessários para que o matrimónio seja sinónimo de FELICIDADE. Pelo que referiram ser essencial, em primeiro lugar duas pessoas, depois a tolerância, paciência, diálogo, fidelidade, afecto, amizade, compreensão e, principalmente, amor... muito AMOR!!! Amor este que não se descreve, sente-se.
Assim, termino este artigo com três mensagens dos três casais entrevistados para todos os jovens que iniciam ou já iniciaram uma vida a dois!

“Que, se tiverem amor um ao outro, se casem com RESPEITO entre ambos e que tenham a consciência que vão encontrar muito obstáculos.” (Senhora Rosa e senhor Francisco)

“Jovens, vivei o AMOR com muita intensidade, lutai para que aumente cada vez mais. Não o deixeis diminuir pois pode ser o fim da relação. Há momentos bons, momentos menos bons e até há maus momentos, mas se fordes fortes o amor nunca acaba. Com diálogo e compreensão, juntos, não deixeis cair o amor!” (Ana Alzira e Manuel Tavares)

“Coragem...! aproveitem as coisas belas da vida, sendo uma delas o namoro, não parem de sonhar, pois o sonho comanda a vida e está a um passo da FELICIDADE!” (Cátia e Fábio)

Aborto: decisão consciente.

Este assunto é delicado. Existem vários caminhos a seguir. Várias hipóteses a serem colocadas. Convém ponderar todas.

Ora bem, pode-se afirmar que o aborto é condenável. É crime. É uma violação ao direito da vida! Pode-se argumentar que a irresponsabilidade dos pais não pode culminar na morte do próprio filho. Ao votarmos a favor do aborto estamos a votar a favor do crime, a favor do assassínio, sendo assim com que direito punimos os assassinos e não quem pratica o aborto? É a mesma coisa, um assassino ou uma mulher que pratica voluntariamente o aborto merecem ser punidos de alguma maneira. Por isso digamos sim à vida.

Outro caminho é o seguinte: Será legítimo punir uma mulher porque “foi obrigada” a fazer um aborto? Podem haver vários factores que levam uma mulher a esta prática. Entre os quais uma violação. Mas não será melhor que uma mulher, ao ser forçada – sim, porque ninguém faz abortos por prazer! – a abortar, o faça num lugar seguro. Onde o risco de vida da mulher seja minimizado? Então porque não se legaliza? A punição é ridícula.
Já é castigo suficiente para uma mulher fazer um aborto. Para quê condená-las? Por isso se deveria legalizar…

É na mulher que vão cair as maiores consequências dos seus actos, seja a nível físico seja a nível emocional. Por mais que um homem esteja envolvido nunca poderá ter o mesmo tipo de sentimentos. Por isso esta discussão, quase sempre liderada por homens que nada sabem sobre este assunto, é uma falsa questão e as mulheres mais do que ninguém devem levantar-se e lutar pelos seus direitos. Direito de escolha, direito de ter uma decisão como esta suportada legalmente, sem que tenham de passar pelas mais horrendas experiências de aborto clandestino.

Quer se concorde ou não com a despenalização do aborto, a sua posição é irrefutável. Este assunto deve ser tratado com ética, como um problema social, mas com uma dimensão moral que tem que se ter em conta.
Só a sua posição, a sua experiência de vida, o seu senso poderão ser levados em conta neste referendo. Não se deixe levar pela política, pela religião ou por outro factor qualquer que lhe venha do exterior.

Politizar esta questão é condenável e só mostra falta de capacidade política.

A propósito do referendo: D.José Policarpo - Grande Entrevista (25 Jan)

O cardeal-patriarca de Lisboa admitiu ontem que o "sim" à despenalização do aborto poderá sair vencedor do referendo de 11 de Fevereiro. "O 'sim' tem possibilidades de ganhar, tal como o 'não' também tem. Tenho um grande desejo de que o 'não' ganhe, mas não faço prognósticos", disse D. José Policarpo numa entrevista à RTP."As missas não são lugar de campanha", afirmou o cardeal, demarcando-se das "declarações menos felizes" de alguns membros da Igreja portuguesa, nomeadamente a comparação entre a prática de um aborto e a execução de Saddam Hussein. Estas declarações, na sua opinião, "correm o risco de desajudar, na medida em que aumentam a confusão", e só podem ser "fruto do calor desta campanha"."O nosso papel deve ser muito sereno", disse D. José Policarpo, reiterando as tradicionais posições da Igreja Católica na rejeição total ao aborto - oposição que se estende à lei de 1984, hoje em vigor. "Sob o ponto de vista moral, a Igreja não pode concordar com a actual lei", sublinhou.A proposta de despenalização que irá a referendo a 11 de Fevereiro, no entender do patriarca, "cria um atentado contra a vida". Daí a posição que a hierarquia católica vem revelando, apesar de D. José Policarpo ter chegado a prometer que a Igreja se manteria à parte da campanha. "Tirar a vida, seja de quem for, não deve ser transformado num direito", acentuou o cardeal, entrevistado por Judite Sousa. A despenalização total defendida por Marcelo Rebelo de Sousa na RTP - "com surpresa minha", confessou o cardeal - é inviável, pois "não é possível despenalizar sem legalizar".
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